sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Semanário da Newshold lança concurso de adivinhação


Na página 24 do Sol de hoje encontra-se uma notícia intitulada “O ‘atleta’ não é Rui Mingas” em que se lê o seguinte:
“O Sol está em condições de afirmar que esse «internacional português» não é, de facto, Rui Mingas. E deixa aos mais curiosos o trabalho de adivinharem quem é”.
Bom, surpreendente seria o Sol não saber quem é um dos seus donos. Mas quando o jornal lança este tipo de ‘piadas’ – particularmente numa altura em que surge a necessidade de conhecer a estrutura accionista do grupo que pretende adquirir a RTP –, coloco em causa a capacidade crítica do jornal face aos interesses da empresa angolana.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Religião? Comunista anti-cristão!


Os estrangeiros que promovem a religião cristã nas universidades chinesas são como uma doença, “uma conspiração política para dividir e ocidentalizar a China”, diz um documento emitido pelo Comité Central do Partido Comunista em Maio de 2011, e agora obtido por uma organização cristã norte-americana.

Eutanásia: franceses relançam debate


É hoje noticiado pelo Expresso que o presidente francês François Hollande defende o suicídio medicamente assistido em casos extremos de doenças incuráveis e dolorosas.

Apesar dos sectores franceses mais conservadores, sobretudo os religiosos, se terem mobilizado contra a eutanásia, a verdade é que recentes sondagens indicam que uma maioria de franceses aprova a eutanásia em casos restritos e extremos. 

O chefe de Estado francês é favorável às conclusões de um relatório que ele próprio encomendou, depois de ter prometido durante a campanha eleitoral uma lei sobre o assunto, sendo que a ideia não é legalizar a eutanásia mas "respeitar a vontade dos doentes até lhes dar a morte através de uma assistência médica que lhes permita morrer dignamente".

São vários os argumentos a favor e contra, não sendo, de todo, uma questão consensual. Sabendo isto, apelo então a libertarmo-nos de todas e quaisquer condicionantes, quer sejam religiosas ou culturais, e a colocarmo-nos no lugar de uma pessoa nessas condições.

Pergunto então: teremos nós o direito de interferir na liberdade individual de outro cidadão e proibi-lo de pôr termo a uma situação dolorosa e/ou incurável? Não creio...

Com esta abertura por parte do presidente francês será certamente relançado o debate sobre o tema. Sendo eu favorável ao suicídio assistido em casos extremos de doenças incuráveis e dolorosas espero que haja uma mudança nesse sentido pois "as pessoas querem adormecer e morrer em paz e sem dor".

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Economia: Justiça Privada e a salvação das empresas




Crescemos habituados a pensar que a Justiça era monopolizada pelo Estado, sendo estritamente pública. Nada de mais errado, visto que, em alguns países a mesma é privada, sendo que Portugal não foge à regra. A verdade é que, por terras lusas, os negócios litigiosos que envolvem milhões são muitas vezes resolvidos através de Justiça Privada.

Pergunte-mo-nos: porque preferem a Justiça Privada, que é mais cara? Bem, o estudo encomendado pelo prof. António Barreto responde. Diz que a maior queixa dos empresários é a morosidade e as decisões dúbias dos tribunais portugueses. Nada de estranho, num país pautado por Freeports, BPN´s e coisas afins. Não, nos devíamos indignar? Devíamos pois.

Acima de tudo, devemos reflectir. Num período em que tanto se fala em competitividade, e em que o enfoque está centrado nos custos unitários de trabalho, seria altura para melhorar outros factores que afectem essa mesma competitividade. Pensem. Se Portugal tivesse um bom sistema burocrático, uma taxa de IRC baixa (esta é para ti, Bruxelas!) e um sistema de Justiça funcional, até que nos poderíamos “desleixar” nos salários, dado que outros factores estariam garantidos.

Mas não. Preferimos assobiar para o lado, adiar reformas e passar a batata quente. A Justiça é só o começo. Não me interessa que seja privada ou pública, desde que seja célere e o máximo de justa possível. Incentivar o aparecimento de tribunais privados seria benéfico. As empresas poderiam resolver litígios de forma mais apressada, pelo menos entre si. Empreendedores, eis um negócio!

Com o Estado já sabemos que a história é outra. Mas aí, é preciso mesmo refundação.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Diz-me o que pesquisas e dir-te-ei quem és!

Foram recentemente revelados os resultados do Google Zeitgeist 2012 e, por curiosidade, fui espreitar quais as tendências de pesquisa dos portugueses no buscador. 

Creio que, sendo em parte um reflexo daquilo que os portugueses que utilizam a Internet são, fica evidente a superior dimensão intelectual e cultural dos cibernautas. Importa então ter uma ideia de quem são estes sujeitos.

Acerca do tema diz-nos um estudo da Obercom sobre a Internet em Portugal (2012):
 "O acesso à Internet em Portugal continua a crescer nos agregados domésticos (dos 51,2% em 2010 para os 57,0% em 2011)"
"Ao nível da utilização veja-se que a utilização da Internet, por ser uma prática estritamente relacionada com os níveis de literacia de cada utilizador, responde, como vimos em anos anteriores, fortemente à relação com a idade e escolaridade dos inquiridos: a utilização de Internet decresce à medida que a idade aumenta e a escolaridade diminui (90,6% dos inquiridos entre os 15 e os 24 anos utilizam a Internet, contra 5,0% dos que têm 65 ou mais anos; 97,5% dos inquiridos com Instrução primária Incompleta não utilizam a Internet, enquanto que 96,9% dos Universitários / Pós-graduados / Doutorados utilizam este meio de comunicação)."

Assim, sendo o mundo virtual maioritariamente povoado por indivíduos dotados de grande espírito crítico, é sem surpresa que se obtém estes resultados:

(fonte: Google Zeitgeist 2012 [adaptado])

Creio que, em quase todos os tópicos, fica evidente que os portugueses elevam o conceito de massa pensante a outro nível. Porque se adaptarmos o ditado ficamos com: "Diz-me o que pesquisas e dir-te-ei quem és!", deixo-vos tirar o resto das conclusões...

PS: Saliento um ponto curioso e que não esperava: os destinos de viagens mais pesquisados fazem parte de Portugal ou da lusofonia.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Mudar paradigmas - será possivel?

Um discurso brilhante do Presidente do Uruguai na conferência Rio+20.

 
 
"O Desenvolvimento não pode ir contra a felicidade. Tem que ser a favor da felicidade humana, do amor ao planeta Terra, às relações humanas, do amor aos filhos, de ter amigos, de ter apenas o necessário."
Porque a vida é demasiado curta para ser desperdiçada neste ciclo vicioso de trabalhar cada vez mais para poder consumir cada vez mais. E porque aquilo que verdadeiramente nos faz felizes são as pessoas, não são as coisas.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Já cheira a eleições autárquicas



Muito em breve teremos os candidatos às Câmaras e Assembleias Municipais a formalizarem as suas candidaturas e a apresentarem os seus programas eleitorais. Dado que no contexto político autárquico a individualização do poder também prevalece, esses mesmos candidatos irão corporizar os interesses, necessidades e expectativas do eleitorado.

Surge então um factor que considero essencial na escolha dos melhores representantes para os munícipes – conhecimento da realidade municipal. Devem, assim, os próximos líderes: compreender as necessidades e potencialidades do concelho, conhecer os principais agentes económicos e sociais, e estarem familiarizados com o historial e as dinâmicas do município. 

Se estar próximo da população se torna fundamental, também outro factor se torna incontornável: conhecer as competências do órgão para o qual pretendem ser eleitos e não inventar ou sugerir competências que a lei não atribui aos municípios.

Saliento isto porque, no momento de apresentarem os seus programas ao eleitorado, muitos candidatos se esquecem de que o papel que vão desempenhar está balizado e começam a prometer coisas que não podem (até porque muitas dessas promessas não se inserem na esfera das competências municipais, mas sim do Poder Central).

É importante, neste sentido, relembrar que fazer política local vai muito mais além da gestão de recursos e fundos estatais. Fazer política local é ir mais além. É explorar os recursos colocados à disposição para promover o desenvolvimento local, é estabelecer parcerias, é atrair investimento e estimular o tecido empresarial. Fazer política local passa, igualmente, por envolver a sociedade civil na construção e materialização dos projectos municipais, algo muitas vezes ignorado pelos agentes políticos.

Chamando a atenção para alguns municípios que estagnaram (ou até mesmo regrediram) económica e socialmente devido ao choque entre os poderes local e central, recordo que fazer política local também é desenvolver um bom relacionamento com o Governo, independentemente da sua cor partidária, e defender o município em detrimento do interesse conjuntural do partido político de que são membros.

Por tudo o que mencionei espero que os eleitores votem em consciência e segundo a validade das propostas que os candidatos apresentem, secundarizando afinidades pessoais e cores políticas.

Os eleitores não podem esquecer que os municípios são a base da personalidade política nacional e que o seu voto não terá unicamente influência ao nível local, mas determinará, em grande parte, a qualidade de todo sistema democrático.

 
O Talho da Esquina © 2012