terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Economia: Justiça Privada e a salvação das empresas




Crescemos habituados a pensar que a Justiça era monopolizada pelo Estado, sendo estritamente pública. Nada de mais errado, visto que, em alguns países a mesma é privada, sendo que Portugal não foge à regra. A verdade é que, por terras lusas, os negócios litigiosos que envolvem milhões são muitas vezes resolvidos através de Justiça Privada.

Pergunte-mo-nos: porque preferem a Justiça Privada, que é mais cara? Bem, o estudo encomendado pelo prof. António Barreto responde. Diz que a maior queixa dos empresários é a morosidade e as decisões dúbias dos tribunais portugueses. Nada de estranho, num país pautado por Freeports, BPN´s e coisas afins. Não, nos devíamos indignar? Devíamos pois.

Acima de tudo, devemos reflectir. Num período em que tanto se fala em competitividade, e em que o enfoque está centrado nos custos unitários de trabalho, seria altura para melhorar outros factores que afectem essa mesma competitividade. Pensem. Se Portugal tivesse um bom sistema burocrático, uma taxa de IRC baixa (esta é para ti, Bruxelas!) e um sistema de Justiça funcional, até que nos poderíamos “desleixar” nos salários, dado que outros factores estariam garantidos.

Mas não. Preferimos assobiar para o lado, adiar reformas e passar a batata quente. A Justiça é só o começo. Não me interessa que seja privada ou pública, desde que seja célere e o máximo de justa possível. Incentivar o aparecimento de tribunais privados seria benéfico. As empresas poderiam resolver litígios de forma mais apressada, pelo menos entre si. Empreendedores, eis um negócio!

Com o Estado já sabemos que a história é outra. Mas aí, é preciso mesmo refundação.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Diz-me o que pesquisas e dir-te-ei quem és!

Foram recentemente revelados os resultados do Google Zeitgeist 2012 e, por curiosidade, fui espreitar quais as tendências de pesquisa dos portugueses no buscador. 

Creio que, sendo em parte um reflexo daquilo que os portugueses que utilizam a Internet são, fica evidente a superior dimensão intelectual e cultural dos cibernautas. Importa então ter uma ideia de quem são estes sujeitos.

Acerca do tema diz-nos um estudo da Obercom sobre a Internet em Portugal (2012):
 "O acesso à Internet em Portugal continua a crescer nos agregados domésticos (dos 51,2% em 2010 para os 57,0% em 2011)"
"Ao nível da utilização veja-se que a utilização da Internet, por ser uma prática estritamente relacionada com os níveis de literacia de cada utilizador, responde, como vimos em anos anteriores, fortemente à relação com a idade e escolaridade dos inquiridos: a utilização de Internet decresce à medida que a idade aumenta e a escolaridade diminui (90,6% dos inquiridos entre os 15 e os 24 anos utilizam a Internet, contra 5,0% dos que têm 65 ou mais anos; 97,5% dos inquiridos com Instrução primária Incompleta não utilizam a Internet, enquanto que 96,9% dos Universitários / Pós-graduados / Doutorados utilizam este meio de comunicação)."

Assim, sendo o mundo virtual maioritariamente povoado por indivíduos dotados de grande espírito crítico, é sem surpresa que se obtém estes resultados:

(fonte: Google Zeitgeist 2012 [adaptado])

Creio que, em quase todos os tópicos, fica evidente que os portugueses elevam o conceito de massa pensante a outro nível. Porque se adaptarmos o ditado ficamos com: "Diz-me o que pesquisas e dir-te-ei quem és!", deixo-vos tirar o resto das conclusões...

PS: Saliento um ponto curioso e que não esperava: os destinos de viagens mais pesquisados fazem parte de Portugal ou da lusofonia.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Mudar paradigmas - será possivel?

Um discurso brilhante do Presidente do Uruguai na conferência Rio+20.

 
 
"O Desenvolvimento não pode ir contra a felicidade. Tem que ser a favor da felicidade humana, do amor ao planeta Terra, às relações humanas, do amor aos filhos, de ter amigos, de ter apenas o necessário."
Porque a vida é demasiado curta para ser desperdiçada neste ciclo vicioso de trabalhar cada vez mais para poder consumir cada vez mais. E porque aquilo que verdadeiramente nos faz felizes são as pessoas, não são as coisas.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Já cheira a eleições autárquicas



Muito em breve teremos os candidatos às Câmaras e Assembleias Municipais a formalizarem as suas candidaturas e a apresentarem os seus programas eleitorais. Dado que no contexto político autárquico a individualização do poder também prevalece, esses mesmos candidatos irão corporizar os interesses, necessidades e expectativas do eleitorado.

Surge então um factor que considero essencial na escolha dos melhores representantes para os munícipes – conhecimento da realidade municipal. Devem, assim, os próximos líderes: compreender as necessidades e potencialidades do concelho, conhecer os principais agentes económicos e sociais, e estarem familiarizados com o historial e as dinâmicas do município. 

Se estar próximo da população se torna fundamental, também outro factor se torna incontornável: conhecer as competências do órgão para o qual pretendem ser eleitos e não inventar ou sugerir competências que a lei não atribui aos municípios.

Saliento isto porque, no momento de apresentarem os seus programas ao eleitorado, muitos candidatos se esquecem de que o papel que vão desempenhar está balizado e começam a prometer coisas que não podem (até porque muitas dessas promessas não se inserem na esfera das competências municipais, mas sim do Poder Central).

É importante, neste sentido, relembrar que fazer política local vai muito mais além da gestão de recursos e fundos estatais. Fazer política local é ir mais além. É explorar os recursos colocados à disposição para promover o desenvolvimento local, é estabelecer parcerias, é atrair investimento e estimular o tecido empresarial. Fazer política local passa, igualmente, por envolver a sociedade civil na construção e materialização dos projectos municipais, algo muitas vezes ignorado pelos agentes políticos.

Chamando a atenção para alguns municípios que estagnaram (ou até mesmo regrediram) económica e socialmente devido ao choque entre os poderes local e central, recordo que fazer política local também é desenvolver um bom relacionamento com o Governo, independentemente da sua cor partidária, e defender o município em detrimento do interesse conjuntural do partido político de que são membros.

Por tudo o que mencionei espero que os eleitores votem em consciência e segundo a validade das propostas que os candidatos apresentem, secundarizando afinidades pessoais e cores políticas.

Os eleitores não podem esquecer que os municípios são a base da personalidade política nacional e que o seu voto não terá unicamente influência ao nível local, mas determinará, em grande parte, a qualidade de todo sistema democrático.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Estado Social: Quando começa a discussão?




É um lugar-comum o que aqui vou partilhar. É algo que toda a gente sabe, mas que alguns responsáveis políticos não parecem querer perceber. Contudo, os dados que o INE apresentou não podem ser mais elucidativos. O panorama demográfico português (e claro, europeu) mudou substancialmente nas últimas décadas. No nosso caso, o futuro parece particularmente preocupante: um estudo britânico foi lançado (já em 2010) e mostra o rácio entre população activa e reformados; no caso português a relação vai-se deteriorar de tal forma que, em 2050 teremos 1,3 pessoas activas por pensionista.

Este rácio dá que pensar. Durante os anos do consenso keynesiano, em que o Welfare State foi edificado, a Europa tinha todas as condições para dar aos cidadãos um Estado Social folgado. Os “baby-boomers” encarregaram-se disso, estabelecendo uma população activa vasta que, através de impostos sustentasse esse Estado Providência. A Europa está a envelhecer, todos sabemos. E, mesmo economicamente, está a estagnar, dada a competição sem tréguas dos BRICS. O Estado Social, como o conhecemos não é mais uma realidade.

Indignem-se pois. Esta era uma discussão que já devíamos estar a ter há mais tempo, sem dúvida. Não uso a palavra “refundação” que, neste momento, já está com uma conotação pejorativa. Mas a ideia de um debate alargado sobre as funções do Estado Social, é premente e necessária. O ex-ministro das Finanças de Pinto Balsemão, João Salgueiro, colocou a tónica num ponto essencial. Será que o Estado Social é eficiente? Podemos reduzir os seus desperdícios e torná-lo viável? Comecemos então por aí. Mas comecemos!

P.s. É certo que o Estado Social é importante. Outros países mais avançados e desenvolvidos economicamente, têm fortes Estados Sociais. Mas devemos perguntar aos nossos botões. Temos capacidade económica para quê? O que podemos dar aos nossos cidadãos sem nos endividarmos excessivamente? Para que serve um Estado Social?

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Sondagens: PS com ou sem Troika?




Daqui se tiram duas ilações. Primeiro, a extrema-esquerda, que deveria ser a que mais capitaliza nestas alturas de descontentamento. Aconteceu sim, mas não nos moldes que esperariam. PCP e BE continuam (na sondagem) a ser 4º e 5º partidos. Juntos agregam 19,5% dos votos. Ainda longe de juntos serem opção governativa, portanto.

O PS, como já se sabia não tem maioria absoluta. Portanto, ao ser governo resta-lhe estabelecer pontes. Ou respeita o memorando e alinha com PSD e CDS, ou se fica pela Frente de Esquerda e, de acordo com o que tem sido veiculado, só consegue o consentimento do BE se respeitar a Troika.

Nada de novo, portanto. Seguro continua com um dilema entre mãos. Sozinho é que não pode jogar.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Técnicas de Marketing e os perigosos ares de Soares


Temos demasiados dinossauros no nosso contexto político-partidário, limitando-se com isso a renovação e surgimento de novas figuras. Mário Soares é um deles. 

Se foi uma figura incontornável do panorama político português (foi - passado), as suas recentes intervenções só vem confirmar a minha tese: já tarda a sua total retirada da política.

O histórico socialista está a dissolver a grandeza dos seus feitos pela típica (e infeliz) prática do bitaitismo.

A verdade é que nutro admiração pela sua luta pela Democracia. Mas se falar de Democracia em Portugal é falar de Mário Soares, falar de bom senso já começo a duvidar.

Se as suas declarações são discutíveis do ponto de vista ideológico, também levantam sérias dúvidas acerca das suas motivações. Chegamos então ao tema deste artigo.

Ora então veja-mos então as técnicas de marketing a funcionar:

“Este tempo não é difícil, é dificílimo. Portugal está a arruinar-se e está a ser destruído pelo actual Governo. O tempo é difícil, em grande parte, pelas questões europeias, que são difíceis em matéria da zona euro. (...) E também é difícil porque este Governo é um Governo incapaz e tem de se demitir”, disse Mário Soares aos jornalistas, à entrada para a apresentação do seu livro de crónicas Tempo difícil, em Lisboa.

"Ele realmente teve a ideia de falar e teve a ideia peregrina de ir falar a um hotel de luxo, também não é o sítio onde deve falar, afirmou Mário Soares, em Lisboa, durante uma apresentação do seu livro "Crónica de um tempo difícil".

Pois bem, fica aqui clara a dinâmica entre Técnicas de Marketing e Comunicação Política (algo que Soares tanto critica, se bem que foi dos que mais uso lhes deu): o lançamento do livro, com valor notícia reduzido, ganha ancoragem com os 'sound bites' políticos. É o 2 em 1 perfeito para Soares - promove gratuitamente o livro e ganha terreno político. 

Enfim, fica muito fácil criticar o Governo e o Presidente da República. Pena este senhor não usar a sua sabedoria par apresentar soluções concretas e viáveis.

PS: A memória, para além do bom senso, também lhe começa a faltar. Digo isto porque Soares foi um dos contribuidores para a sua apelidada "destruição do país". Quantos anos esteve este senhor no poleiro?

PS II: Estranho Mário Soares ter permanecido em silêncio algum tempo e, pouco depois de ser noticiado que a "Fundação Mário Soares vai levar um corte de 30% nos apoios do Estado", eis que surge em peso.
 
O Talho da Esquina © 2012