sábado, 20 de outubro de 2012
Futuro? "Até aos mercados, marchar, marchar!"
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Crise Política: As insónias de Portas
Estado providência
Fernando Ulrich: "Estado poderia pagar a desempregados para trabalhar no BPI"
Nas relações entre o Estado e as empresas já estávamos habituados a que houvesse violência doméstica mas, pelos vistos, também há quem já encare com naturalidade o abuso sexual.
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Não há almoços de borla
No final do dia, a Directora em causa, explicava em entrevista a um canal de televisão todos os passos que foram dados para resolver o incumprimento do pagamento da conta da cantina por parte de alguns encarregados de educação (muitos, a avaliar pela quantia que já estava em dívida), e ficamos a saber que o caso a que se refere a noticia é já um caso “fim de linha” em que, nao encontrando outra alternativa, a direcção do Agrupamento recusou o almoço à criança, fornecendo umas sandes em substituição. Hoje, num comunicado do Agrupamento de Escolas Laura Ayres encontram-se mais esclarecimentos.
Na polémica lançada por este caso discute-se quem é culpado. Mas a tónica deveria ser colocada do lado do único inocente desta história: uma criança de 5 anos.
Este é um excelente exemplo da forma como as escolas, no geral, lidam com casos de incumprimento. Na situação que foi denunciada ,todo o processo é bem conduzido pela Direcção do Agrupamento de Escolas. Face ao problema levantado pelo não pagamento das refeições pelos encarregados de educação, a escola usa (e bem) os mecanismos que tem ao seu alcance e, dialogando, vai encontrando soluções caso a caso. Muito bem!
Mas quando se esgotam as soluções dentro da comunidade educativa há dificuldade em accionar, por exemplo, um processo judicial, a via encontrada para resolução passa, invariavelmente pela penalização do aluno. Neste caso a criança ficou sem almoço, noutros fica à porta da escola sem poder entrar porque é indisciplinada e os pais ignoram a convocatória para vir à escola. É exactamente igual. Que culpa tem a criança se são os pais que não pagam? Que culpa tem um aluno que está a mostrar inadaptação faltando ou sendo indisciplinado, se os seus pais se recusam a assumir a responsabilidade de cuidar dele ? Pela irresponsabilidade dos pais a Escola castiga os alunos.
Esta alteração de percepção da que a sua função é defesa do aluno faz com que as sandes que a senhora Directora teve o cuidado de providenciar, sejam absolutamente irrelevantes.
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Media: Estamos entregues aos bichos
Um exercício de cidadania
Serve este post para saudar e divulgar a TIAC, Transparência e Integridade Associação Cívica que tem como objectivo compreender e erradicar este fenómeno da "corrupçãozinha". Além de relatórios, acções de sensibilização ou campanhas, a TIAC também presta apoio na denuncia destes casos. Um verdadeiro serviço público.
O silêncio é o maior aliado da impunidade. Denuncie!
A TIAC está AQUI
terça-feira, 9 de outubro de 2012
A prova dos nove
Depois dos modelos e dos gráficos do Gaspar, das previsões do governo, hoje é o FMI que vem assumir que afinal também não fizeram bem as contas.
Bem...durante toda a tarde não me saiu isto da cabeça.
A solução desta crise não está na matemática. Definitivamente, não!
Nova lei para estrangeiros: uma restrição benéfica
Entrou ontem em vigor o novo regime jurídico de entrada, permanência, saída e afastamento de estrangeiros, depois de aprovada na generalidade, com os votos do PSD e CDS, e na especialidade, na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.
Também é previsto a diminuição do tempo efetivo de cumprimento da pena de prisão necessário à execução da pena de expulsão, para os crimes punidos com pena de prisão igual ou inferior a 5 anos de prisão:
Segundo as novas alterações ao diplima, a autorização de residência pode ainda ser cancelada se existirem “razões sérias para crer” que um imigrante cometeu crimes graves ou se houver suspeitas de que os tenciona cometer no espaço da União Europeia.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Política: E se o Governo cair?
domingo, 7 de outubro de 2012
Federalismo: A União cria-se na necessidade
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Crise: A agonia da democracia
domingo, 30 de setembro de 2012
União Europeia: Unir o que a crise separou
domingo, 23 de setembro de 2012
Economia: Dois caminhos para o suicídio
- Nova moeda
- Salários desvalorizariam (estimativas mais animadoras apontam para uma quebra de 30%)
- O Governo teria de nacionalizar todos os bancos (já que se tornariam insolventes) e proibiria o levantamento de dinheiro
- Teria de ser imposto um recolher obrigatório, dado que a contestação nas ruas subiria para níveis nunca antes vistos.
sábado, 22 de setembro de 2012
Relações no séc. XXI: crise de valores ou evolução natural?
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Procura-se mudança. Não à TINA!
Uma mente brilhante
Não há dúvida, este matemático é uma mente brilhante!
terça-feira, 18 de setembro de 2012
15 de Setembro: Fim aos manifestantes em part-time!

Há um paradigma há muito estabelecido na sociedade moderna – que se reflecte principalmente nos jovens e que se tem perpetuado – há uma demonização da Política e de tudo o que a envolve. Hoje em dia, a actividade política é vista como algo bolorento e longínquo.
Certo é que a culpa não será toda do cidadão comum. Há muito que a Política (e a Economia: são termos umbilicais), foi tomada por experts, debitando termos e definições que escapam ao simples mortal. A Política também foi tomada por oportunistas, movidos por ambições pessoais que descartam o principal objectivo desta nobre actividade: servir a comunidade.
Mas estes “cidadãos” que agora gritam slogans antipolíticos não podem demarcar-se das suas responsabilidades. Carregam também o fardo de terem deixado de exercer o escrutínio sob os responsáveis que decidem o futuro de nós todos como sociedade. Poderia dar o exemplo da crónica abstenção que marca a ida (ou não ida) às urnas. Mas, verdade seja dita, a cidadania passa por muito mais que isso. Envolve (ou deveria envolver) um debate diário, uma participação cívica activa e uma indagação permanente. Isso não acontece. É mais fácil encontrar refúgio no mote: “Eles são todos iguais”.
Não partilho do entusiasmo resultante das grandes manifestações. Infelizmente, e a história mais recente mostra-nos isso, tudo não passará de um escape para uma raiva acumulada. É para mim incompreensível que haja ainda pessoas que depois de uma grande manifestação se desloquem ao centro comercial mais próximo e se entreguem à gula consumista. É como se tudo não se tivesse passado de um grande chá das cinco e que, depois de aplacada a fúria, se volte à rotina diária.
Importa relembrar que este sentimento antipolítico marcou a ascensão ditatorial de Salazar ao poder. As pessoas, cansadas da instabilidade que marcou os anos de republicanismo, procuraram relegar as responsabilidades numa figura paternal que não lhes fizesse muitas perguntas e não suscitasse muitas dúvidas. Este egoísmo cívico, bem presente nos desabafos salazaristas (Cito de cor: “Se as pessoas soubessem o que custa mandar, limitar-se-iam a obedecer”) levou a que o povo português estivesse amordaçado por 40 anos. Não queiramos repeti-lo.
Chegamos a um ponto sem retorno. Por incompetência dos nossos governantes, é certo, mas sobretudo pela nossa cumplicidade com essa negligência. O caminho não é o “antipolítico” – isso seria a abolição da própria cidadania – mas sim a uma intensificação da participação de cada um. Afinal, como nos lembra o Padre António Vieira, não há coisa que causa maior apetite à natureza humana “que a notícia dos tempos e sucessos futuros”. Não é disto que se trata a Política?
Por isso, é importante inverter esta tendência anti natura, de descomprometimento total com os nossos futuros. A manifestação de 15 de Setembro é um marco, ninguém tem dúvidas disso. Mas é, antes de mais, conclusiva de que só acordamos quando a “noite mais triste” (relembrada nos versos intemporais de Manuel Alegre) já vai cerrada. A democracia é como um ser vivo, se não for cuidada e acarinhada definhará. Por isso é importante dizer, ainda que isso doa a alguns: precisamos mais de democratas assíduos do que de manifestantes em part-time!
Post Scriptum: A solução para este problema não será milagrosa e imediata, mas lá fora já começam a aparecer alternativas para este novo desafio que se impõe à democracia. Na Bélgica, país "desgovernado", haverá a 11 de Novembro uma conferência, ironicamente apelidada de G1000 Citizens Summit, onde 1000 cidadãos irão debater os problemas de nação e, esperançosamente, tentarão encontrar soluções. Por cá, começam-se a organizar movimentos cívicos ainda muito pouco maduros. Espero (e lanço aqui o desafio) que cada um de nós se envolva mais activamente em grupos de debate e em think-thanks que proponham alternativas ao sistema falido em que vivemos.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Política: Há algo mais urgente do que resolver a crise europeia?

Aproveito para falar de outra “manifestação”, outro pequeno acto de protesto que Passos escolheu ignorar. Digo pequeno, mas arrisco-me a dizer que é de uma importância maior do que as manifestações de 15 de Setembro (perdoem-me os manifestantes, mas isto é uma consequência do mundo globalizado e, para nós, europeizado em que vivemos). Falo de uma pequena reunião que Mario Monti organizou e que contará com a presença do primeiro-ministro espanhol (Rajoy), com a presença do líder do governo grego (Samaras) e com o primeiro-ministro irlandês Enda Kenny.
Serão estes nomes, anteriormente apontados, perigosos comunistas? Não, nada disso. Como sabemos, Mario Monti é um tecnocrata e os outros três governantes são de partidos ideologicamente alinhados com o centro-direita (da mesma família política do PSD). E por falar em PSD. Que fez Passos? Optou por declinar o convite alegando motivos de agenda. Eu não conheço a agenda de Passos, mas deixo aqui o repto aos seus assessores: há algo mais urgente do que resolver a crise europeia?
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Austeridade: E depois da encruzilhada?

Um dia haveríamos de chegar a este ponto. As medidas de austeridade, apresentadas e consolidadas, destruíram algo que ainda nos diferenciava da Grécia (fora a imagem de bom aluno): o consenso social em torno programa de ajustamento económico. Algo que nem a Espanha se dá ao luxo de ter!
A partir desta encruzilhada é bom fazer um exercício de reflexão (que poderá perfeitamente não se tornar real, dada as condições anormais em que vivemos), e tentar discernir que saídas há para os principais líderes políticos e parceiros sociais.
O que se passa com Passos é claro. Perdeu (se é que alguma vez as teve) as rédeas do partido. Com Relvas caladinho, o PSD abandonou (como seria de esperar) a retórica do “que se lixem as eleições”. A avaliar pelo que dizem os principais barões e figuras secundárias do partido, o mote agora é: que se lixe o Passos! Pois é, as autárquicas não tardam e todos os presidentes de junta e de câmara têm que fazer pela vida. Os abraços sinceros dos tempos de Sá Carneiro, tornaram-se em cínicas palmadinhas nas costas. Os barões não dormem e os abutres já sentem o cheiro fétido a carne moribunda.
Para Portas e o CDS é o agora ou nunca. Paulo Portas, o parceiro de coligação que nem o diabo quer ter, vai ter que decidir se apoia ou não este governo. Avança o Público, na edição em papel (14-09-2012), que o CDS se prepara para sair, depois de aprovado o OE. Isso não o livrará do ónus da culpa de ter ajudado a passar as medidas de austeridade. A sair, Portas deveria sair agora. E depois, se as coisas derem para o torto (como irão dar!), dizer: eu não tive nada que ver com isto, só fui até onde tinha que ir. Mas Portas, atenção! Antes de te precipitares, olha para a Holanda: Geert Wilders fez o mesmo que tu! Abandonou a coligação quando o governo anunciou mais medidas de austeridade. As urnas não o pouparam.
Já o PS encontrou aqui uma janela para fazer o que foi talhado para fazer: oposição. Sim, o PS assinou o memorando. Mas, verdade seja dita, o PS nunca se comprometeu a ir além dele. Aliás é sabido (pelo menos o Catroga disse-o) que o memorando é mais obra do PSD de que do PS. Agora: ao apresentar soluções, que sejam assertivas.
Bloco de Esquerda e PCP tem que se limitar a capitalizar o descontentamento. Por irónico que possa parecer, as alturas de crise são boas para estes partidos. É um momento crucial também para o Bloco de Esquerda. Ou se assume como alternativa credível, ou se afunda no esquecimento que só a política é capaz de conseguir.
Quanto aos parceiros sociais uma palavra para a UGT: só poderá romper com o Acordo Tripartido que fez com o Governo e CIP. Caso contrário, arrisca-se a desaparecer e fica a CGTP estabelecida como a única central sindical. E isso não é bom!
O romano Júlio César, ao atravessar o rio Rubicão, sabendo que isso iria dar azo a uma guerra, proferiu a famosa frase “'Alea jacta est”. Bem, Passos atravessou o Rubicão e iniciou uma guerra. Mas Passos não é um César. Acho que nenhum deles é. De qualquer das formas, os dados estão lançados.
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Austeridade: Já iam uns cursinhos de media training, não?

Não vou dissertar sobre as novas medidas de austeridade. São um assunto dissecadíssimo e, como já vimos, suscitam críticas à esquerda e à direita. No liberal e no comunista. Reprovo, sobretudo a maneira como foram anunciadas. Apercebi-me disso ao ver o Gaspar na TV. O homem fala, fala, fala e um familiar meu, depois de o ouvir comenta: “Não percebi nada do que disse!” Nem tem obrigação: é formado em letras.
O economês, que é o novo francês – tagarelice da pseudo-elite provinciana que temos – é agora mais que falado, é divinizado! Vemos por aí (basta espreitar a comunicação social) dezenas de anglicanismos incompreensíveis: hedge funds, credit default swaps, Yield… Para isto é preciso um dicionário. Não me admiro que, como vi hoje, as pessoas escolham a CARAS ao invés de um jornal com uma entrevista do Gaspar. Para ler chinês é preciso um curso.
Com tantos assessores Passos e Gaspar não conseguiam fazer melhor? E depois fora o tecnicismo do discurso, o governo não anuncia as medidas populares. Veja-se por exemplo as medidas que se “esquecerem” de referir. (Controle dos fundos remanescentes da TSU – empresas não as podem usar a não ser para investir, bens de luxo mais taxados, mais impostos sob as transacções bancárias). Não admira que no PSD se esteja em rebuliço. Passos nem para ele é bom.
Fica a pergunta: já que se deram ao trabalho de escrever uma minuta (e um post no facebook que deu borrada), não podiam dar uns cursinhos de media training ao Gaspar? Não custava nada e olha (!) até se criavam empregos.










