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domingo, 26 de agosto de 2012

Sucessão: Fim do BE extremista e radical?



Toda a gente sabe a verdade. O BE precisa do eleitorado que, normalmente, vota socialista para sobreviver. Veja-se o caso das eleições de 2009: o Bloco subiu substancialmente o seu peso eleitoral. A razão é simples. Votou no Bloco, a esquerda moderada desiludida com Sócrates. Sim, porque ao escolher à esquerda tinham de optar por BE e PCP. E, sendo um partido mais “urbano”, o BE é, sem dúvida, mais atractivo.

Por isso esta ânsia do Bloco em se opor ao PS (salvo raras excepções). O BE sabe-o. Não passa de charme eleitoral sob esta franja eleitoral. Mas isto não é necessariamente algo mau. Serve para acordar os socialistas enfeitiçado pelos cânticos de sereia da “Terceira Via”. O PS, acossado à sua esquerda e à sua direita, sabe que, de certa maneira terá de retomar um pouco dos seus fundamentos sociais-democratas. Sem cair em radicalismos desnecessários.

O Bloco deveria saber que nada ganha com alianças tácitas com o PCP. Os comunistas nunca perdem para o Bloco. A base eleitoral comunista dificilmente alimentará o BE, até porque, como se vêem nos resultados das eleições, o PCP não permite fugas ao seu eleitorado. Por isso é urgente ao Bloco distanciar-se da esquerda mais extrema. Isto se, não quiser ser visto com mais um partido de protesto proletário/revolucionário que, mais tarde ou mais cedo, irá fazer companhia ao MRPP fora da representação parlamentar. Esse lugar, no espectro político português, já está ocupado com unhas e dentes pelo PCP.

Por isso, o Bloco deve abandonar teses demasiado revolucionários, que se revelam infrutíferas a médio/longo prazo. Se o Bloco quiser recuperar espaço político deve, antes de mais, ocupar o seu espaço à esquerda do PS. Mas, indubitavelmente, manter-se mais próximo do PS do que do PCP (sem deixar de criticar os “desvios” socialistas). O Bloco precisa de adoptar um posicionamento mais social-democrático e menos marxista-maoísta-trotskista. Um militante do BE já tinha deixado algumas dicas (ainda que com algumas nuances). Chegará isso aos ouvidos da Mesa Nacional? Veremos.

Veremos o resultado da discussão que envolve a sucessão a Louçã. Esperemos que a liderança que se seguir (se não for “marionetada” pelo ex-líder) tenha a sensibilidade que permita uma maior abertura do BE. Para sectarismos já basta o PCP. Quem perde com isso? Certamente que não será a direita.

domingo, 19 de agosto de 2012

Bloco de Esquerda e a direcção bicéfala


Francisco Louçã, coordenador do Bloco de Esquerda, defende que a sua sucessão representa a abertura a um novo ciclo político e que uma direcção bicéfala é uma solução "para o século XXI". Para a sucessão, que deverá ser protagonizada por um homem e uma mulher, aponta João Semedo e Catarina Martins.

Bom, face ao insucesso eleitoral ainda recente era esperado que o BE fizesse alterações nas suas estruturas. Estranho é Louçã ter uma perspectiva de direcção bipartida.

“O que é estranho é que a sociedade não se faça representar nos partidos como ela é” – diz-nos ele então. Face a isto, questiono-me: Será esta a melhor representação do que é a sociedade? Não creio… O BE sairá beneficiado nas urnas? Muito menos…

Quando temos Louçã a coordenar o Bloco há 13 anos, com Semedo a seu lado, estranho vê-lo defender que o seu par poderá fazer a renovação. João Semedo está simplesmente demasiado entranhado na cultura bloquista actual. A diferença poderá, eventualmente, materializar-se numa aproximação ao Partido Socialista (PS). Com isso ganhará alguns votos, mas ainda assim não acredito que se revelem muito expressivos.

Semedo, que destacou o papel de Louçã para a "mudança da política portuguesa e para a introdução de um novo discurso e de uma nova cultura política para a esquerda portuguesa", já não tem a “frescura” necessária para introduzir um novo discurso (apesar do consenso acerca das suas competências).

Neste sentido, e porque tal como Ana Drago observou, “o Bloco de Esquerda tem dirigentes que têm capacidade, protagonismo, propostas políticas e capacidade de confronto que permitem fazer uma nova liderança”, porque não voltar-se completamente para a tal "renovação geracional" clamada por Louçã?

Catarina Martins é um desses casos. Tal como Drago o é. Deve o Bloco pensar na hipótese de as colocar, em conjunto, na liderança? Nas palavras da própria Ana Drago a “discussão sobre nomes restringe o debate político que é necessário fazer”, sendo que “trabalhar nomes é fabricar figuras”.

Assim sendo, vamos esperar pela convenção do Bloco em Novembro.
 
O Talho da Esquina © 2012